Armazenagem correta de baterias inservíveis: o que diz a ABNT NBR 12.235

A armazenagem de baterias chumbo-ácido inservíveis no comércio não é apenas uma boa prática operacional, mas uma exigência associada à Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e ao Acordo Setorial de Baterias. O Guia Comércio de Baterias estabelece que os comerciantes devem acondicionar essas baterias em suas instalações, em local adequado, conforme a ABNT NBR 12.235:1992 ou norma que venha a substituí-la.

Ao planejar o espaço físico da loja, o comerciante deve considerar que o ponto de venda também atua como ponto de coleta, o que exige critérios técnicos mínimos de segurança, organização e controle.

 

A armazenagem de baterias dentro da PNRS

A PNRS, regulamentada pelo Decreto nº 10.936/2022, introduz o conceito de responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, envolvendo fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, consumidores e o poder público. No caso das baterias chumbo-ácido, essa responsabilidade se materializa na exigência de um sistema de logística reversa estruturado, capaz de garantir destinação final ambientalmente adequada.

Nesse contexto, o comércio exerce papel direto ao receber, armazenar temporariamente e encaminhar as baterias inservíveis aos demais elos da cadeia, conforme previsto nos instrumentos setoriais. A armazenagem correta deixa de ser um detalhe operacional e passa a ser um elemento essencial de conformidade ambiental e legal.

O Guia reforça que empresas que produzem, transportam, armazenam ou comercializam baterias chumbo-ácido devem adotar procedimentos alinhados às normas técnicas vigentes, garantindo segurança e rastreabilidade.

 

Como deve ser o local de armazenamento na loja

De acordo com o Acordo Setorial, as baterias inservíveis devem permanecer em local definido, adequado e tecnicamente seguro, tratado como uma área específica de acondicionamento, integrada à rotina da loja.

Esse espaço não deve ser improvisado nem compartilhado com materiais incompatíveis. As baterias precisam permanecer protegidas até a coleta periódica realizada por distribuidores, fabricantes ou importadores, evitando danos físicos, vazamentos de eletrólito e riscos à saúde de pessoas, produtos e equipamentos presentes no ambiente comercial.

Os requisitos técnicos, como características do piso, ventilação, contenção e medidas de proteção, estão descritos na norma técnica aplicável, que deve ser consultada diretamente pelo comerciante para orientar a organização do espaço.

 

Rotina de recebimento e acondicionamento das baterias

O Acordo Setorial estabelece que o comerciante deve receber ou coletar as baterias inservíveis quando o consumidor as entrega de forma voluntária, preferencialmente no momento da substituição por baterias novas. Após o recebimento, a bateria não deve permanecer em áreas de circulação, atendimento ou oficinas, devendo ser encaminhada prontamente ao local adequado de armazenagem.

A organização desse fluxo interno reduz riscos de quedas, danos à carcaça e vazamentos, além de facilitar a conferência e o controle dos volumes armazenados. Essa etapa de acondicionamento integra o sistema formal de logística reversa e está diretamente ligada à forma como o comerciante estrutura e gerencia o espaço físico do ponto de venda.

 

Comprovação, controle e rastreabilidade

A armazenagem correta das baterias inservíveis também está diretamente relacionada à obrigação de comprovação da logística reversa. O Guia Comércio de Baterias orienta que os comerciantes utilizam plataformas de gestão e documentação específica para apresentar, anualmente, aos órgãos de controle, a comprovação de que as baterias foram recebidas, armazenadas e destinadas dentro do sistema regularizado.

Como a PNRS exige controles oficiais e atendimento a metas quantitativas, o comerciante precisa manter clareza sobre o que entra, o que permanece armazenado e o que é encaminhado para coleta. A organização adequada do espaço físico contribui para evitar misturas de lotes, perdas de rastreabilidade e inconsistências documentais.

 

Loja como ponto de coleta regularizado

Os pontos de coleta correspondem aos próprios estabelecimentos comerciais de baterias chumbo-ácido que possuem declaração anual da entidade gestora ou do órgão ambiental competente. Ao aderir ao sistema de logística reversa, o comerciante passa a ser reconhecido formalmente como parte de um sistema coletivo regularizado.

A forma como o espaço de armazenagem é organizado influencia diretamente a percepção de conformidade e segurança do ponto de coleta, especialmente considerando a periculosidade das baterias chumbo-ácido reconhecida por normas técnicas específicas.

 

Vantagens de seguir os requisitos técnicos de armazenagem

A adoção correta dos requisitos técnicos de armazenagem reduz riscos operacionais, fortalece a comprovação da logística reversa e demonstra alinhamento com a legislação ambiental. Além de atender às exigências legais, o comerciante que participa de um sistema setorial estruturado passa a contar com maior segurança jurídica, melhor relação com órgãos ambientais e uma imagem consolidada de responsabilidade ambiental.

Ao organizar corretamente a armazenagem e integrar-se a um sistema coletivo de logística reversa, o comércio contribui para um ambiente mais seguro, reduz passivos e fortalece a conformidade do seu negócio.

Logística reversa é responsabilidade, é credibilidade e é diferencial de mercado.

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